E aí, tudo certo? Se você chegou até aqui, provavelmente ama o som do seu violão, mas sente que está na hora de levá-lo para o próximo nível. Seja para tocar naquele barzinho no fim de semana, na igreja, gravar suas ideias ou simplesmente parar de brigar com microfones que nunca pegam o som direito, um bom captador não é um luxo, é uma necessidade.
Mas vamos ser sinceros: escolher um pode ser confuso. São tantos nomes, tipos e preços que a gente fica perdido. Piezo, magnético, de contato, ativo, passivo… o que tudo isso significa na prática?
Calma, respira fundo. Este não é mais um daqueles guias técnicos e chatos. Pense nisso como um bate-papo com um amigo músico que já testou de tudo e vai te ajudar a encontrar o parceiro ideal para o seu instrumento. Juntos, vamos desvendar os segredos e encontrar o melhor captador para violão que vai transformar seu som e caber no seu bolso. Vamos nessa?

Antes de Tudo: Entenda por que um Bom Captador Transforma seu Som
Você pode ter o violão mais incrível do mundo, mas se o captador for de baixa qualidade, o som que vai sair na caixa será… decepcionante. Um bom captador faz a ponte entre a alma acústica do seu violão e o mundo elétrico.
A diferença na prática: Ele garante clareza e definição, permitindo que cada nota do seu dedilhado seja ouvida. Ele te dá presença de palco, fazendo seu som “cortar” na mix da banda sem ficar estridente. E o mais importante: ele elimina dores de cabeça como microfonias e ruídos indesejados, te dando liberdade para tocar com confiança.
Este guia serve para você que tem um violão de entrada e quer dar um upgrade, e também para você que tem um instrumento mais caro e precisa da captação mais fiel possível.
Guia de Compra Definitivo: Como Escolher o Captador de Violão Perfeito para Você
Antes de sairmos listando modelos, o mais importante é você entender o que está comprando. Com este conhecimento, sua escolha será muito mais consciente e certeira.
O Primeiro Passo: Seu Violão é de Aço ou Nylon?
Essa é a pergunta de ouro. A resposta muda tudo.
- Violões com cordas de Aço: As cordas de aço contêm metal, o que permite que funcionem com captadores magnéticos (como os de guitarra). Eles também funcionam perfeitamente com captadores de rastilho (piezo) e de contato. Você tem mais opções.
- Violões com cordas de Nylon: O nylon não interage com campos magnéticos. Portanto, captadores magnéticos (de boca) não funcionam em violões de nylon. Para eles, as opções são os captadores de rastilho (piezo) ou os de contato/microfone.
Desvendando os Tipos de Captadores (e Para Quem São Indicados)
Captador de Rastilho (Piezo): O Padrão do Mercado
- Como funciona: É uma pequena lâmina que fica sob o rastilho (o ossinho branco da ponte), captando a pressão e a vibração das cordas diretamente.
- Ideal para: É o tipo mais comum em violões já eletrificados. Oferece um som mais brilhante, focado nos médios e agudos, muitas vezes descrito como “estalado”. É perfeito para quem toca em banda (pop, rock, sertanejo, forró) e precisa que o som do violão se destaque.
Captador Magnético (de Boca): O Timbre Quente e Encorpado
- Como funciona: Ele se encaixa na boca do violão e cria um campo magnético. A vibração das cordas de aço perturba esse campo, gerando o sinal elétrico. Funciona de forma parecida com o captador de uma guitarra.
- Ideal para: Quem busca um som mais aveludado, natural e resistente a microfonias. É a escolha de muitos artistas de folk, blues, MPB e pop acústico. A instalação costuma ser extremamente fácil e não exige furos no instrumento. Lembre-se: só para cordas de aço!
Captador Híbrido (Microfone + Piezo/Contato): A Fidelidade Máxima
- Como funciona: Combina o melhor de dois mundos. Geralmente usa um microfone interno para captar a naturalidade e o “ar” do som do violão, e um captador piezo ou de contato para captar o peso, o ataque das notas e evitar microfonias.
- Ideal para: Músicos profissionais e puristas do timbre que querem o som mais próximo possível de um violão microfonado em estúdio, mas com a segurança e a praticidade de um sistema interno para o palco.
Ativo vs. Passivo: Você Precisa de um Pré-Amplificador?
- Captador Ativo: Precisa de uma bateria (geralmente 9V) para funcionar. A grande vantagem é que ele já vem com um pré-amplificador, que te dá mais volume e controles de equalização (graves, médios, agudos) no próprio violão.
- Captador Passivo: Não usa bateria. O sinal é mais baixo e puro. A desvantagem é que você fica dependente de um pré-amplificador externo (pedal ou mesa de som) para controlar o volume e o timbre.
Análise dos 8 Melhores Captadores para Violão de 2025
Agora que você já é quase um especialista, vamos à parte divertida. Analisamos os modelos mais populares e bem avaliados do mercado brasileiro para te ajudar a decidir.
1. Fishman Neo-D Single Coil: A Escolha dos Profissionais (Magnético)
Ideal para: Músicos de violão de aço que buscam um som quente, balanceado e profissional sem precisar fazer furos no instrumento. Perfeito para folk, pop acústico e MPB.
Análise e Timbre: O Neo-D é um clássico por um motivo. Ele entrega um som incrivelmente equilibrado, com graves definidos e agudos suaves. A instalação é ridiculamente fácil: basta encaixá-lo na boca do violão. É um captador passivo, então o timbre é muito puro, mas se beneficia de um bom pré-amp externo para mais controle.
Prós:
- Timbre quente e natural.
- Instalação super fácil e sem modificações no violão.
- Excelente custo-benefício pela qualidade sonora.
- Construção robusta da Fishman.
Contras:
- Por ser single coil, pode captar um pouco de ruído em locais com iluminação ruim (zumbido de 60Hz).
- Não possui controle de volume embutido.
Ficha Técnica:
- Tipo: Magnético (Single Coil)
- Ativo/Passivo: Passivo
- Instalação: Na boca do violão

2. Tagima TEQ-5: O Melhor Custo-Benefício do Brasil (Piezo com Pré)
Ideal para: Músicos que buscam um sistema completo com equalizador e afinador embutido por um preço imbatível. Funciona bem tanto em violões de aço quanto de nylon.
Análise e Timbre: O TEQ-5 é um verdadeiro canivete suíço. Ele vem com um captador de rastilho e um pré-amplificador com afinador cromático, controles de grave, médio, agudo, presença e volume. É o kit que resolve a vida de quem quer plugar e tocar sem complicação. O som é o “estalado” característico do piezo, que funciona muito bem em shows com banda.
Prós:
- Preço extremamente acessível.
- Kit completo com afinador e equalizador de 4 bandas.
- Versátil, pode ser usado em aço ou nylon.
Contras:
- A instalação requer um corte na lateral do violão (recomendado fazer com um luthier).
- O som pode ser um pouco artificial se os controles de EQ não forem bem ajustados.
Ficha Técnica:
- Tipo: Piezo (Rastilho)
- Ativo/Passivo: Ativo (Bateria 9V)
- Instalação: Requer corte lateral no instrumento

3. LR Baggs Anthem SL: O Som de Microfone Sem Microfone (Híbrido)
Ideal para: Músicos profissionais e amadores exigentes (de aço ou nylon) que buscam o som mais próximo de um violão microfonado, com a segurança de um sistema anti-feedback.
Análise e Timbre: O Anthem é considerado por muitos como o santo graal da captação acústica. Ele usa uma tecnologia genial: um microfone interno (Tru-Mic) capta a maior parte do som, trazendo toda a naturalidade e o “ar” do tampo. Um captador de rastilho (Element) entra por baixo, cuidando apenas dos graves, o que garante peso e uma resistência incrível à microfonia. O resultado é o som de estúdio no palco. A versão SL tem um controle de volume discreto na boca do violão.
Prós:
- Timbre incrivelmente natural, dinâmico e fiel ao instrumento.
- Sistema híbrido que combina o melhor dos dois mundos.
- Altíssima resistência à microfonia, mesmo com microfone.
- Controles e sistema super discretos.
Contras:
- Custo significativamente elevado, é um investimento premium.
- A instalação deve ser feita por um luthier para garantir o posicionamento perfeito dos componentes.
Ficha Técnica:
- Tipo: Híbrido (Microfone de Condensador Tru-Mic + Piezo Element)
- Ativo/Passivo: Ativo (Bateria 9V)
- Instalação: Interna, com controle de volume na boca do violão

4. Seymour Duncan Woody HC: Som Encorpado e Sem Ruído (Magnético)
Ideal para: Quem gostou da ideia do Fishman Neo-D, mas se preocupa com o ruído de single coil. Ótimo para palco e estúdio.
Análise e Timbre: A linha Woody da Seymour Duncan é outra ótima opção de captador de boca. A versão HC (Humbucking) usa dois captadores empilhados para cancelar o zumbido, resultando em um som mais silencioso, gordo e com médios bem presentes. O acabamento em madeira dá um visual muito charmoso ao violão.
Prós:
- Humbucker, ou seja, sem ruído de 60Hz.
- Som cheio e quente.
- Visual elegante em madeira.
- Fácil instalação.
Contras:
- O som pode ser um pouco menos “aberto” e brilhante que o de um single coil.
- Preço um pouco superior ao do seu principal concorrente (Neo-D).
Ficha Técnica:
- Tipo: Magnético (Humbucker)
- Ativo/Passivo: Passivo
- Instalação: Na boca do violão

5. Fishman Sonitone: O Padrão de Fábrica Confiável (Piezo com Pré)
Ideal para: Quem busca a qualidade Fishman em um sistema discreto e pré-amplificado, que já vem em muitos violões de marcas famosas.
Análise e Timbre: O Sonitone é a escolha de muitas fabricantes por sua simplicidade e confiabilidade. O pré-amplificador fica escondido dentro da boca do violão, com apenas dois controles rotativos (volume e tone). Isso mantém a estética do instrumento, pois não há um buraco na lateral. O som é o clássico piezo da Fishman, muito equilibrado e pronto para o palco.
Prós:
- Instalação super discreta, sem cortes na lateral.
- Qualidade e confiabilidade da marca Fishman.
- Controles simples e eficientes.
Contras:
- Menos opções de equalização que um pré com mais bandas.
- A troca da bateria pode ser um pouco mais chata, pois fica dentro do violão.
Ficha Técnica:
- Tipo: Piezo (Rastilho)
- Ativo/Passivo: Ativo (Bateria 9V)
- Instalação: Pré-amp interno na boca do violão

6. LR Baggs M1 Active: O Magnético Turbinado (Magnético)
Ideal para: O músico profissional de violão de aço que precisa de um som de altíssima qualidade, com corpo e zero complicação no palco.
Análise e Timbre: O M1 Active pega o conceito do captador magnético e o eleva. Ele não só capta a vibração das cordas, mas também a ressonância do tampo do violão, resultando em um som que é ao mesmo tempo percussivo, quente e cheio de detalhes. Por ser ativo, já vem com pré-amp embutido e controle de volume, entregando um sinal forte e consistente.
Prós:
- Timbre híbrido (magnético + corpo) fantástico.
- Ativo, com controle de volume e sinal forte.
- Extremamente resistente a microfonias.
- Fácil instalação.
Contras:
- É um dos captadores de boca mais caros do mercado.
Ficha Técnica:
- Tipo: Magnético (Humbucker com sensor de corpo)
- Ativo/Passivo: Ativo (Bateria)
- Instalação: Na boca do violão

7. Captador de Rastilho Dolphin: O Padrão Bom e Barato (Piezo)
Ideal para: Quem tem um orçamento muito limitado e precisa de uma solução funcional para começar a tocar plugado.
Análise e Timbre: Sejamos diretos: ele não vai competir com um Fishman ou LR Baggs. Mas pelo preço, ele faz o trabalho. É um kit de captação de rastilho passivo, simples, que vai amplificar seu violão de aço ou nylon. É uma porta de entrada honesta para quem não pode investir muito agora.
Prós:
- Extremamente barato.
- Funciona e permite que você toque plugado.
Contras:
- Timbre bem básico e sem muitos detalhes.
- Por ser passivo, o sinal é baixo e depende de um bom pré-amp externo.
Ficha Técnica:
- Tipo: Piezo (Rastilho)
- Ativo/Passivo: Passivo
- Instalação: Sob o rastilho

8. Captador de Contato (Clip): A Solução Rápida e Universal
Ideal para: Iniciantes, músicos que tocam vários instrumentos (violão, ukulele, cavaco) ou quem precisa de uma solução temporária sem nenhuma instalação.
Análise e Timbre: Esse tipo de captador, muitas vezes vendido por marcas como Lusesse ou Cherub, é a definição de praticidade. Você simplesmente prende o clipe no headstock ou na boca do violão e pluga o cabo. Ele capta a vibração do corpo. O som não é o mais fiel do mundo e pode pegar muito ruído de manuseio, mas para um estudo ou uma apresentação descompromissada, ele quebra um galho enorme.
Prós:
- Preço muito baixo.
- Instalação instantânea e zero modificações.
- Pode ser usado em praticamente qualquer instrumento acústico.
Contras:
- Timbre mediano e pouco definido.
- Muito suscetível a captar ruídos de batidas e do corpo do instrumento.
Ficha Técnica:
- Tipo: Contato (Piezo de Clip)
- Ativo/Passivo: Passivo
- Instalação: Externa com clipe

Conclusão: Qual o Melhor Captador para Violão, Afinal?
Depois de toda essa análise, o “melhor” captador é aquele que atende à sua necessidade e ao seu bolso. Para te ajudar na decisão final, aqui vai um resumo:
- Para o som mais natural e fiel possível: Se você busca o melhor dos melhores e pode investir, o LR Baggs Anthem SL é a escolha definitiva. É o som do seu violão, só que mais alto e pronto para o palco.
- Para um som profissional sem furos (aço): O Fishman Neo-D (ótimo custo-benefício) e o Seymour Duncan Woody HC (sem ruído) são as melhores opções de captador de boca. O LR Baggs M1 Active é o upgrade dessa categoria.
- Para o melhor custo-benefício com tudo incluído: O Tagima TEQ-5 é o campeão. Você leva afinador, EQ e um sistema completo por um preço muito baixo.
- Para quem tem orçamento apertado ou precisa de algo prático: O Captador de Rastilho Dolphin é a solução definitiva mais barata, e o Captador de Clip é o mais prático para quem não quer instalar nada.
Perguntas Frequentes Sobre Captadores de Violão (FAQ)
Qual a diferença real entre um captador para violão de aço e um para nylon?
A grande diferença está nos captadores magnéticos (de boca), que só funcionam com cordas de aço. Captadores de rastilho (piezo) e sistemas com microfone interno funcionam em ambos.
Posso instalar um captador sozinho ou preciso de um luthier?
Captadores de boca e de clipe você instala em segundos. Sistemas como o Anthem ou o Sonitone, embora não exijam cortes, é altamente recomendável levar a um luthier para um serviço limpo, seguro e com o posicionamento perfeito dos componentes. Já os que exigem um corte na lateral do violão (como o Tagima TEQ-5), é praticamente obrigatório o serviço de um profissional.
Captadores ativos com bateria gastam muita pilha?
Não. Uma bateria de 9V de boa qualidade pode durar centenas de horas. O pulo do gato é: sempre desconecte o cabo do violão quando não estiver tocando. Manter o cabo plugado é o que drena a bateria.
O que é e para que serve o botão “phase” em alguns pré-amplificadores?
O botão de fase (ou “phase”) inverte a polaridade do sinal. Na prática, ele é sua melhor arma para combater a microfonia (aquele apito chato) em tempo real. Se o violão começar a apitar, aperte o botão de fase. Muitas vezes, isso resolve o problema instantaneamente.
É melhor usar um captador ou um microfone na frente do violão?
Para o estúdio, a combinação de um bom microfone com o som do captador costuma ser a melhor solução. Para o palco, o captador é quase sempre a opção mais prática e segura, pois é muito menos suscetível a microfonias e a captar o som de outros instrumentos.